A polêmica em torno da identidade de gênero de Poison, amada personagem das franquias Final Fight e Street Fighter, acabou de ganhar mais um capítulo no início desta semana.
Por meio de sua conta pessoal no X, o designer de personagens e ex-programador de jogos da Capcom, Akira Yasuda, o Akiman, afirmou que a ex-Mad Gear não é uma mulher transgênero.
"É mulher [Cisgênero], sim, no exterior eu disfarcei dizendo que era uma ladyboy, mas essa piada ficou famosa demais. Se as pessoas continuarem levando essa piada a sério, vai acabar virando uma de verdade", escreveu.
As questões em torno do gênero de Poison surgiram em decorrência de divergências entre a equipe de desenvolvimento de Final Fight com a divisão da Capcom nos Estados Unidos.
Temendo implicações legais pelo fato de mulheres aparecerem apanhando em um jogo de videogame, a solução encontrada pela Companhia foi batizar a lutadora sob a expressão "Newhalf", um termo pejorativo equivalente ao "Shemale".
A revelação Akiman causou reações mistas na FGC (Fighting Game Community), com alguns membros lamentando a falta de representatividade LGBTQIAPN+ de peso no gênero de luta.
"Dava pra ter ideia que a Poison sempre foi idealizada como mulher cis. Eu duvido que alguém a enxergue como grande ícone cultural da causa trans. Então não acho que vá causar alvoroço como andam dizendo", opinou @Fakeironic.
"Sempre vi a Poison como trans, mas o criador da personagem confirmou que ela é mulher depois de maior tempão e só não falou nada pq viralizou muito na época essa informação (?)", comentou o @Bomber_txt.
"Em 2026 e a gente aínda falando disso... Espero que a Poison entre em Street Fighter 6 no ano 5 e eles acabem com isso de vez confirmando de um jeito ou de outro.A realidade da Poison é que a Capcom já foi e voltou nessa história dela muitas vezes, até o Akiman já mudou de ideia várias vezes nisso.Alguém na Capom devia acabar com esse debate, e nós como base de jogadores estamos prontos.", sugerir o @KazualZenkai.
"Lembro-me que no artbook de SF X Tekken, Akiman já havia deixado claro a visão dele sobre a Poison. O que faz sentido, até porque ele a criou.É um caso interessante de visto do autor e o que foi feito após", observou a produtora de conteúdos sobre Street Fighter, Bianca Magalhães, a Bia Chun-li.
"Entrevistas passadas corroboram que a Capcom e Akiman queriam que Poison fosse uma mulher, mas devido a pressões externas, o conceito foi alterado e mantido no lançamento há quase 40 anos. O que Akiman quer/pensa 'agora' é irrelevante para o que a Capcom decidiu, que é 'newhalf' ou uma transgênero", reforçou o @WeeabooNinja.
"Acho que li há algum tempo que, quando Final Fight saiu no final dos anos 80, era considerado muito 'forte bater em uma mulher' nos EUA e houve uma confusão entre EUA e JP sobre o gênero dela. Embora eu achei que, hoje em dia, a Capcom a tenha tornado uma garota trans de forma canônica", disse o @aphroditeScornn.
Até o fechamento dessa publicação, a Capcom não se manifestou sobre as declarações de Akiman.
MEUS DOIS CENTAVOS NA DISCUSSÃO
Pegando como base os dois últimos comentários que ilustram essa publicação, a avaliação desde autor que vos escreve é a de que a Capcom sairá perdendo, caso valide a declaração de Akiman.
As nuances em torno das características físicas e da personalidade que Poison construiu ao longo dos tempos são os elementos que a tornam única dentre as centenas de personagens criados para a franquia.
Indiretamente, todas as questões em torno de Poison a tornaram uma referência para os LGBT, e tirar isso nessa altura do campeonato seria um golpe baixo para a comunidade. A Capcom poderia seguir o mesmo exemplo de Daisuke Ishiwatari, criador da série Guilty Gear, que canonizou Bridget como uma mulher trans, exemplo que, inclusive, coloquei em uma publicação no X.
E você? O que pensa tudo disso? Deixa a sua opinião nos comentários!
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