A NOVELA CONTINUA | FUSÃO ENTRE PARAMOUNT E WARNER BROS. SOFRE SUSPENSÃO TEMPORÁRIA NA JUSTIÇA DOS EUA
A Justiça dos Estados Unidos determinou, nessa segunda-feira (20), a suspensão temporária da fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery por pelo menos duas semanas. A decisão acrescenta mais um capítulo ao conturbado processo de aquisição, por US$ 110 bilhões, da empresa comandada por David Zaslav.
Segundo a juíza distrital da Califórnia, Araceli Martínez-Olguín, uma coalizão formada por 12 estados norte-americanos sustenta que a fusão entre as empresa pode reduzir a concorrência e prejudicar os consumidores. Uma nova audiência, marcada para o dia 3 de agosto, decidirá se o negócio permanecerá suspenso durante toda a tramitação da ação.
Na avaliação dos estados, a união entre a Paramount e a Warner Bros. daria origem a um conglomerado de mídia com poder suficiente para elevar os preços de filmes e programas de TV, além de enfraquecer a concorrência no setor. A ação também aponta o risco de que a fusão resulte em demissões em massa.
Em resposta à medida, a Paramount afirmou que a ação interpreta de forma equivocada as leis antitruste dos Estados Unidos. A empresa também argumentou que um atraso na conclusão do negócio prejudicaria os trabalhadores da indústria do entretenimento, que já enfrentam dificuldades há vários anos.
"Estamos confiantes de que as provas demonstrarão que os argumentos antitruste dos procuradores-gerais estaduais não têm fundamento, pois os mercados que eles alegam existir e suas alegações de efeitos anticoncorrenciais não encontram respaldo na realidade dos mercados atuais", reforçou um porta-voz da empresa à Reuters.
Em fevereiro deste ano, a Netflix anunciou que desistiu de cobrir a oferta de US$ 31 por ação apresentada pela Paramount Skydance, abrindo caminho para a fusão com a Warner Bros. Discovery. A empresa dos CEOs Ted Sarandos e Greg Peters havia firmado o acordo para adquirir a WBD por US$ 72 bilhões em dezembro de 2025.
Embora o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tenha aprovado a operação, autoridades de outros países passaram a analisar os possíveis impactos da fusão sobre a concorrência. O negócio também enfrenta críticas de atores, roteiristas, exibidores de cinema e outros profissionais da indústria do entretenimento, que temem demissões, além de uma redução no número de filmes produzidos e distribuídos.
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